Google+ Endorfinando - Paixão por Esportes: Participar de uma maratona

segunda-feira, junho 02, 2008

Participar de uma maratona


Participar de uma maratona, correr 42.195 Km com certeza é um desafio para poucos, poucos guerreiros que ousam se desafiar, alcançar o limite, sentir o frio da dor e pensar em desistir e neste momento se superar e alcançar com maestria o objetivo traçado.

A maioria dos esportistas que participam estão longe de disputarem a vitória, pois esta é para menos pessoas ainda, pessoas favorecidas genéticamente mas lá estão para superar um desafio que elas mesmo se impuseram e baixarem seus próprios tempos.

Sempre participo de provas de 10 Km, meu recorde de distância foi 22 KM mas nunca passei deste número, porém passado o final de semana da Maratona de São Paulo em que muitos venceram este desafio pela primeira vez, começo a traçar o objetivo de correr ano que vem a primeira maratona, sendo assim, fiz uma pesquisa para entender o que é necessário e como é participar de uma prova tão longa e extenuante.

Vou postar o relato de uma pessoa normal como nós, que depois de uma corrida de 15 Km decidiu iniciar os treinamentos e participar de uma maratona, depois de 4 meses de muito treino e dedicação chegou o dia do objetivo, se deliciem com o relato da jornalista Yara.

"

O GRANDE DIA...

Enfim, o domingo, 25, amanheceu frio. Cerca de 10 graus. Fui para a largada feminina, às 7 da manhã, feliz como uma criança. Eram poucas mulheres - por volta de 200. Para mim era tudo diferente. Nunca havia participado de uma prova com largada tão cedo (ainda estava um pouco escuro quando chegamos ao local da prova) e com tão pouca gente.

Foi dada a largada e eu comecei a entrar em uma espécie de transe. A ansiedade ali, fazendo o coração acelerar além da conta. Tanto que completei o primeiro km em 5’12”. Tinha muito chão pela frente e claro que tratei de focar e me equilibrar. Pouco tempo depois já havia encontrado meu ritmo - graças a muito treino, eu aprendi a encontrar minha “velocidade de cruzeiro” e sigo nela sem grandes variações. E continuei. Os primeiros quilômetros tinham mesmo um ar de “sonho”, de “filme noir”. O céu cinzento, as ruas vazias, as corredoras se espalhando, começando a correr mais isoladas. Não foi uma sensação de solidão, mas sim um momento de interiorização. E foi um muito lindo. Olhava para o céu, agradecia a Deus por estar ali...

Pouco mais adiante, os deficientes e os homens, que tiveram a largada um pouco mais tarde, às 7h20, já me alcançavam. Vi um cego correndo muuuuito com seu guia. Tudo me emocionava. "


MEUS RECORDES...

Estava me sentindo tão bem... E fiquei feliz quando cruzei o km 10 com 54’06” - meu segundo melhor tempo na distância. O tempo todo, no entanto, dizia a mim mesma que era só o começo, que eu prestasse atenção para não me entusiasmar demais. Adiante, entramos numa avenida muito comprida, onde ventava muito e onde começou a garoar, aumentando o frio. Fui fazendo a reposição energética com carboidrato em gel e lembrando das orientações de amigos maratonistas mais experientes - especialmente o Melo.

Lembro que pensei “se eu chegar bem no km 14 vai dar tudo certo”. No 14 era fácil chegar mesmo (rsrsrs), mas era uma forma de me motivar, de me colocar metas ali dentro da Maratona. Alguns amigos iam passando, um chamando o nome do outro, desejando boa prova... Eu estava correndo tão bem que meu pensamento era um só: “meu corpo foi feito para isso, meu corpo foi feito para correr”.

Também lembrava de algumas músicas e de uma, em especial: Tropa de Elite. É que nos últimos dias antes de embarcar para Porto Alegre, conversando com um amigo (o Eduardo) no MSN, ele falou dessa música, destacando o trecho "hoje o bicho vai pegar".

Estava louca para chegar ao km 21 e ver qual seria meu tempo na Meia Maratona. E cravei 1h57m - meu recorde na distância (antes, o melhor tinha sido 2h03m). Não parava de fazer contas, tentando prever em quanto tempo terminaria.

Um pouco mais adiante, por volta do km 24, um maratonista começou a correr a meu lado. Ficamos um ditando ritmo ao outro e até conversamos um pouco. Ele falou que estava gostando de correr a meu lado porque eu mantinha um ritmo constante, sem grandes variações. Por um lado a companhia era boa, justamente para não vacilar com o ritmo, por outro pensava que aquele papo poderia me desconcentrar. E fomos indo...

Continuava a fazer as contas mentalmente e já estava achando que se eu continuasse daquele jeito, poderia completar em quatro horas ou até um pouco menos. Estava “me achando”.

O TEMÍVEL KM 30...

Mas eis que chega o km 30. Ali, bem ali, meu ritmo começou a cair. Bateu cansaço e uma dor na altura dos quadris. Naturalmente eu comecei a diminuir. Eu queria manter, queria me forçar um pouco, mas meu corpo não obedecia. O meu companheiro de prova seguiu adiante e eu reduzi. Lembro que parei num posto de Gatorade e, como desculpa para beber com mais calma, andei uns poucos passos. É claro que eu não ia desistir, mas precisava dar um jeito de melhorar o ritmo. E tirei forças sabe-se lá de onde.

No treino mais longo que eu havia feito, percorri 34 km. Então, até os 34 km eu já havia experimentado. Dali para frente seriam os quilômetros que tantas vezes visualizei nos treinos. E a partir do 35, a gente entra em um trecho comprido da prova, tendo o Rio Guaíba à direita. Absurdo pensar isso, mas você acha que os quilômetros são maiores do que no início. E tinha que ir até o fim dessa avenida, fazer a volta e retornar para então se dirigir à chegada. Quer dizer, você vê as pessoas voltando e fica pensando onde é que fica o retorno. A essa altura eu tinha retomado um pouco ritmo. A cada quilômetro, mais contas. Mesmo que eu fizesse esses quilômetros finais a 7 minutos cada, chegaria em menos de 4h12. Mas eu fechava cada quilômetro por volta de 6 minutos. Era só administrar.

VONTADE DE CHORAR...

Finalmente, no bendito retorno, a gente já estava no km 39. Nesse trecho, tinha um casal correndo lado a lado. Ele falava para ela: “eu te amo cada dia mais. Você é uma vencedora. Olha só aonde você já chegou...” Palavras de incentivo para que ela não diminuísse. Teve um momento que o rapaz falou: “você tem duas pernas, dois braços, é perfeita, só tem a agradecer por estar aqui...” Não agüentei a emoção. Tive vontade de chorar. Sabe aquela emoção súbita e muito forte, de quase faltar o ar? Ameacei mesmo chorar, a respiração foi ficando ofegante. Mas pensei: “se eu chorar agora vou ficar sem ar e não vou conseguir correr”. Controlei a respiração, agradeci por estar ali, faltava muito pouco. Consegui até me distanciar do casal, não sem antes passar pelo cara e dizer que a atitude dele estava me emocionando.

Já por volta do km 40, a Nara chegou para me acompanhar de bicicleta. Quase chorei de novo. Ela falou tanta coisa bacana, que eu estufei o peito e me senti mesmo muito especial. No km 41, era correr com toda a força que ainda restava. Dali até a chegada parece que passou muito rápido.


O GRANDE FINAL...

A poucos metros da linha de chegada, avistei meus filhos, que estenderam um cartaz, escrito: “Parabéns, mamãe! Você conseguiu. Amamos você!” Chamei o Antônio para me acompanhar na reta final. Ele me deu a mão e seguimos alguns poucos metros, mas a organização não deixou que ele cruzasse a linha comigo. Então cruzei a chegada e ele ficou para trás (acabou se perdendo da irmã e alguns minutos depois eu fui chamada no autofalante para resgatá-lo, tadinho!!!). Parei meu relógio com exatas 4h04m.

Ali na chegada encontrei meus amigos Tomaz, Sérgio e Iotti, da Contra Relógio. Fizemos festa, tiramos fotos. Foi muito legal. E após ter resgatado o Antônio, voltei para a barraca da equipe PerCorrer Widex, que me deu apoio durante o percurso todo. Também encontrei o Ricardo, o Marco e o MM, da PlayTeam, tiramos fotos orgulhosos de nossas medalhas.

Com o corpo frio, as dores começaram a aparecer. Doíam as pernas, os pés, as costas, mas ao mesmo tempo eu sorria, feliz. Nada me incomodava. Meus pés não sofreram quase nada: as unhas estavam intactas e apenas duas pequeníssimas bolhas surgiram. Andei um monte ainda até pegar um táxi e ir para casa.

Passei o dia como se tivesse ganho na loteria. Endorfina pura. Comemoramos eu, meus filhos, a Nara e o Vitor (que fez um tempo muuuuuito bom, 3h17m).

Dormi bem. Acordei ainda com algumas dores musculares, especialmente nas coxas. Voltamos para SP na manhã de segunda-feira - confesso que ainda com alguma dificuldade para subir e descer escadas. Mas agora, no final da noite de segunda-feira, as dores são vagas lembranças. Estou muito bem!

Obrigada a todos que me acompanharam, que me ajudaram, que me deram forças, que curtiram comigo essa trajetória. Não fiz uma maratona para experimentar, para ver como é que era. Fiz porque tinha a certeza de que eu iria querer mais. E quero. Que venha a próxima!!! "


Este foi o relato de Yara Achôa, jornalista e dona do blog : http://yaraachoa.zip.net/ .


E você, pronto para encarar ? Quem sabe ano que vem eu posto meu relato sobre meus primeiros 42 Km, abraço a todos.


24 comentários:

Yara Achôa disse...

Oi, Rick!
É uma honra ter meu relato aqui no seu blog também. E dou a maior força para você correr uma maratona. Deseje, planeje, realize. É uma das maiores emoções que a gente pode ter.
Legal termos mais um blog sobre corridas.
Beijo
Yara Achôa

Petter disse...

Nossa, que dia cheio
Tá aí uma coisa que eu nunca vou fazer
rsrs

Abraços

Vinny disse...

Uau, muito bom o texto. Realmente tem que ter um pique danado!

Parabéns!

Abraço!

Neto disse...

pode crê q tem q ter um pique danado mesmo..

parabens

danisiinha disse...

tenho vontade de participar de uma maratona .... muito legal seu relato... me incentivou ! bjkss

www.daniilopes.blogspot.com

Net Esportes disse...

Você me perguntou sobre o negócio de marcadores não foi ??? primeiro você tem que escrever no próprio post o 'assunto' ou 'categoria', aí você vai no layout e incluí na barra lateral, do mesmo jeito que incluí imagens, links..... tem uma lá só para marcadores.

qualquer coisa é só falar.

Rafael Silva disse...

Olá. Muito interessante seu blog, pois esclarece muitos aspectos interessantes desse esporte. Boa sorte nessa sua vida de maratonas.

Osmar Mesquita disse...

Caraca esse é a mulher viu...
Parabens ai pra vc e para a yara...
sorte do antonio ter uma mulhe dessa..


abraços

Candy love... disse...

shauhsa

participar de maratona?
não é pra mim não, mas dou todo apoio [ sentada comendo batata frita, tomando sorvete e guarana...]

bjo

J. Le Fay disse...

É mesmo um desafio!
Parabéns!
;)

Laurennn disse...

Hum... sou sedentaria ever!
não faria uma coisa assim, mas acho legal quem tem força de vontade e consegue superar seus limites.

lupatini disse...

muito motivador o relato.

Dih da Pâhzinha... disse...

Parabéns pra ela...
Sensacional!!!
Eu nunca teria coragem de encarar esse desafio!
Parabéns mesmo!
Imagino a cara de orgulho que ela ficou ao ler o cartaz dos filhos e a cara dos próprios por verem a mae deles completarem essa prova históricamente famosa por varios motivos!!!

Abraço

Passa la

http://www.avidanobeco.vai.la/

Plágio disse...

Nossa! Nunca conseguiria participar de algo assim... O.o'

www.e-nozes.blogspot.com

Wander Veroni disse...

E aí kra, blza!

Correr é um desafio do corpo e da mente. Tem pouco tempo q comecei a correr, e é muito pouco mesmo, 2 km, três vezes por semana, e para mim cada vez q faço isso é uma vitória. Torço para q vc corra uma Maratona e q saia realizado dela. Seu blog é um incentivo para eu continuar praticando exercício.

Abcs,

=]
__________________________
http://cafecomnoticias.blogspot.com

Barretão disse...

emocionante o texto, realmente!
bastante intenso e poderoso!!

parabéns para a Yara!!

grande abraço,
Barreto
www.soshollywood.com

madrugada billing disse...

nao entendo esse tipo de esporte. mas correr, correr é bom. até seu limite.

Shalders, Pedro. disse...

eu só corro porquê correr da barato.

JŧON disse...

Po parabens em correr isso eu so do rio meu recorde e dar 304 voltas no campo de futbol médio mas não chega a isso ai

passa la no meu blog www.culturadanet.blogspot.com

Salin disse...

ae filé o blog... vlw

Filmes e novidades

Hugo Jr. disse...

tô jogando futebol e já morro nos primeiros 10m, imagine se correria um maratona!?
boa sorte aê nas próximas!!!


www.1irmao.blogspot.com
www.tirashd.blogspot.com

Mijei disse...

Pow ótimo!!

deve ser um sensação muito boa terminar uma maratona, depois de passar por todas as dificuldades, sentir o maior alivio de ter conseguido!!

abraços


Mijei de Rir - Alegria e diversão!

Dih da Pâhzinha... disse...

Desafio extremo...
Só quem tem muita força de vontade ou quem é atleta mesmo!!!

http://dihdusbeko.blogspot.com/

Cleiton Kamikaze disse...

muito lwegal o relato, eu tenho um tio que corre ha cerca de 20 anos, agora ele tem que ficar um ano sem correr por causa de uma cirurgia no joelho..
mas ele mesmo sempre diz que não há alegria maior, e que a dor, os calos e as bolhas que surgem nao sao nada comparados ao resultado final, que é superar os 42 km...

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